
Afirmava a personagem Carrie, interpretada por Sarah Jessica Parker, em "O Sexo e a Cidade", no episódio em que completou 35 anos: "A partir de hoje sou, oficialmente, solteirona" e, dito isto, parecia que o céu tinha desabado sobre a sua cabeça.
Dá que pensar!... Numa sociedade em que a mulher adquiriu, finalmente, o estatuto que lhe pertence, em termos de direitos e deveres, como pode o "estigma da solteirona" continuar a fazer-se sentir de forma tão opressiva e desesperante?
Se a mulher conseguiu, de facto, a independência a todos os níveis, desde o sexual ao profissional e ao económico (os dois últimos intrinsecamente ligados, de resto), desiderato há séculos desejado, por que razão teima em deixar-se envolver emocionalmente em conceitos totalmente ultrapassados, que já não se lhe aplicam, portanto?
Ou será que esta verdade não é tão verdadeira assim?
Eu não me sinto solteirona aos 32 e acredito que não irei senti-lo, de repente, como se de um sortilégio se tratasse, aos 35. Nem aos cinquenta!... Isso significaria que estava a renegar tudo aquilo por que gerações e gerações de mulheres (e alguns homens, admitamos) antes de mim, lutaram!
É claro que isto não significa que eu não sinta necessidade de ter um par amoroso ou de vir a constituir família, mas isso pelas razões certas, que são as afectivas, que são as naturais. Pouco ou nada me importam as convenções sociais, decrépitas e obsoletas. Uma mulher não tem que provar ao mundo que é "capaz de agarrar um homem". Ninguém pertence a ninguém. Nenhum homem é mais "gente" do que uma mulher, ou vice-versa. As pessoas devem ficar juntas, e amar-se, de livre vontade, porque querem, porque se sentem bem dessa forma, nunca por imposições externas, jamais para satisfazer a opinião pública.
E se, um dia destes, ouvirem dizer que me casei, não fiquem admirados. Sou muito bem capaz de formalizar uma união, dessa forma tradicional, não porque quero deixar de ser "solteirona" mas porque, finalmente, surgiu alguém que quero ter ao meu lado, com quem talvez venha a ter filhos... enfim, não será um D. Sebastião que se materializa junto a mim, numa manhã de nevoeiro... será um homem com quem, conscientemente e fundamentada em razões do coração, pretendo partilhar a minha vida.