quarta-feira, 7 de novembro de 2007

De boas intenções...

Dizia eu, no post anterior, que iria contrariar o velho ditado e que as minhas (boas) intenções de visitar os sítios dos meus amigos virtuais (e lá comentar), e de aqui vir escrevinhar umas coisitas com maior assiduidade, eram para ser cumpridas.
Tretas, meus amigos. Tudo tretas. Ao cabo e ao resto, já lá vão praticamente três semanas desde que andei por estas bandas.

Temas de que falar não me faltam, mas o Juramento de Hipócrates, que faço questão de seguir escrupulosamente, obrigar-me-ia a ficcionar, a alterar substancialmente o que vos contasse, para que não houvesse qualquer possibilidade de quebra de sigilo da minha parte e, em consequência, de identificação de casos reais. Como os meus amigos bem sabem, para isso não tenho jeito. Não sou detentora de dotes de romancista. Nem de poeta. Em ambos os casos, para tristeza minha... porque sou grande apreciadora da arte da escrita. Ai, ai!... Enfim!...

Resta-me, então, falar de mim, da minha vidinha por vezes tão "sem-graça" (para não dizer "desgraçada", porque não vos quero pôr a chorar - snif, snif, snif... - agora, num arremedo à la Florbela Espanca: "bem bastam as enchentes dos rios formados pelas minhas lágrimas!"). Uau! Esta deixou-me de rastos! (risos).

Pronto, já respirei fundo, e agora, ainda a propósito desta profissão pela qual em boa hora optei, tento deixar um pouco de humor, para que a minha passagem de hoje por aqui não pareça tão cheia de coisa nenhuma. (Se não conseguir, talvez desista... sei lá, ou talvez não, sei eu lá disso agora!)

Bom, mas vamos à "suposta" piada:

Sabem o quanto sofriam os meus colegas até ao Séc. XIX, antes de ter sido inventado o estetoscópio?
Ora apreciem-me bem esta ilustração:


Caricatura de Draner, pseudónimo de Jules Renard (1833-?) in "Le Charivari: Variations médicales" (1880-1890). Fonte: History of Medicine Division. © National Library of Medicine.

Tradução da legenda:

" Eu achava, doutor, que era nas costas que se auscultava..."
" Para os peitos fracos, sim... mas não é o seu caso."

"Deliciosa a vida dos físicos (prodigiosos ou não) do passado mais remoto!", pensarão alguns dos meus amigos, olhando apenas o lado sensorialmente agradável da questão...
(seus malandrecos!!!).

Com esta me vou, que se faz tarde, e o estado de "sem-graça" continua...

14 comentários:

carteiro disse...

Uma passagem por aqui nunca é em vão... nem que seja em silêncio.
Sem bem saber o que dizer, minha amiga, espero que o teu estado de graça ganhe outras cores o mais rápido possível.
Se fazes falta por aqui... fazes. Mas enquanto às visitas, pelo teu espaço ou por onde quiseres, chegará o tempo. Que os dias sejam generosos contigo...

Maria P. disse...

Se voltares sempre com estas "boas intenções" que revelam na boa escrita, podes demorar tempo que quiseres, que eu volto sempre.

Beijinho*

Maria disse...

A falta de tempo às vezes parece que é contagiante...
Mas vai-nos deixando aqui mais umas ilustrações destas, ou doutras, ou aparece só quando puderes.
Eu volto, sempre.

Beijinho

Bichodeconta disse...

A eterna falta de tempo que atormenta a vida de todos nós.. Gosto muito de passar por aqui, é bom ler os seus escritos..um abraço..

Perdido disse...

O tempo nunca nos faltou. O tempo que nos falta é aquele que ainda não usámos. A doutora deve sabê-lo: já se deu conta dos últimos minutos de alguém? O tempo que tivemos foi usado.

A fazer o quê cada um sabe de si. Ele são escolhas, sistemas de valores, critérios, árvores ou tabelas de decisão, aprender com os resultados, não posso mas vou dar um "jeitinho", matar vários coelhos de uma cajadada, compromissos, compensações, a gente cá se arranja, vou-me organizar, tenho mais que fazer, etc.

É assim a vida da gente, não é? Pois fique-se lá o povo transmontano com a doutora que bem precisa dela. E ela tem que fazer a carreira que isto de ser curador dos corpos e das almas não vai com escritinhos nos blogues, até parece indecente, com a saúde das pessoas não se brinca.

A dra. Mafalda que se cuide, não se esqueça que tem uma vidinha pessoal a viver, que ninguém vive por ela. E está na frescura da vida, que se consome logo ou se mete no frigorífico para lá ficar.

Queremos é a Mafalda. Um pouquinho de cada vez, não precisa desgraçar-se, porque sem graça vai ficar se descuidar a carreira ou a vida pessoal. A Mafalda cuja escrita nos entretem e enternece. Um pouco de cada vez e sem desculpas, deixe o Hipócrates em paz e as frustrações de não se sentir romancista ou poeta. Com quem julga que está? Que me dê conta não sou romancista nem poeta nem outra coisa qualquer que se encaixe na autoria de escrever. Basta-me dar gozo escrever. O que eu sinto é que quanto mais escrevo mais sou capaz de ler o que os outros escrevem e dá-me cada vez mais gozo ler. Sei que cada vez escrevo com menos dor, é como fazer ginástica. Muita coisa vem com a vida e a vida é já hoje, e é amanhã e é depois. Roma e Pavia... As desgraças e as choradeiras são geralmente boas oportunidades para escrever, mas não quero entrar por esse caminho. Gosto de escrever pilhérias e coisas engraçadas. O meu azar é achar graça com facilidade a uma data de coisas que ninguém acha. É também o azar de quem me quer ler. Diria "é a vida!". A tua piada nem a percebi mas não to vou dizer para não ficares triste.

Quando puderes, volta outra vez a dizer que não tens tempo.

Combinado?

Um beijinho
R.

cljp disse...

Muito divertido, este post.
Gostei deste blogue. Parabéns Mafalda e bom trabalho

Baudolino disse...

Boas escritas e bom trabalho!
Abraço

Dulce disse...

Também eu ando um pouco arredada dos cantinhos dos amigos. Há que dividir o mal pelas aldeias: uns dias uns, outros dias, outros, e assim se atende a todos.
Gostei da ilustração. À semelhança dessa há-de haver outras igualmente curiosas sobre essa profissão.
Beijinho para ti

Pepe Luigi disse...

Bela passagem de saudável humor.
Aprecio muito a sua forma de escrever e dar ênfase às coisas mais naturais do quotidiano.

Beijinhos

Bichodeconta disse...

Talvez por isso a minha avó dizia , que de boas intenções está o inferno cheio..um abraço..

Bichodeconta disse...

Talvez por isso a minha avó dizia , que de boas intenções está o inferno cheio..um abraço..

APC disse...

Curiosamente, bem te entendo.
Por vezes a vontade de escrever é muita, o tempo é que é nenhum. Outras ainda (e falo por mim), existe é a vontade de ter vontade de escrever. Esta também é chata.
E depois, há também o desencanto. E até desilusões. Mas em prevalecendo as boas intenções, o regresso acontece. Espero pelo teu! E deixo um abraço! :-)

Rosa dos Ventos disse...

De facto podias e devias aparecer mais vezes!
Gostei da caricatura...
Abraço...e muita saúde para os teus doentes! ;-))

Gervásio Leonel disse...

Estimada doutora.

O meu amigo Perdido tem partilhado comigo o desejo de a ver mais vezes presente neste espaço de partilha textual e imagética.

Ele gaba-a bastante: "Gervásio, aquela jovem tem garra. Dá-lhe uns tempos e vais ver como ela agarra o touro da escrita pelos cornos. Dá-lhe mais uns tempitos... Pena é dedicar-se pouco a isto, anda lá metida com o Esculápio, não é? Também outros andaram e deram cartas na escrita".

Estou só a citá-lo para que possa verificar a autenticidade da simpatia e amizade que nutre por si. Dizia, às vezes: "Não é preciso apaparicá-las, basta estimulá-las de vez em quando. Quando as mulheres começarem realmente a escrever, os homens vão começar a aprender a ser leitores".

Lastimo informá-la de que Perdido não se encontra nem por Lisboa, nem por Santarém. Temos aliás poucas informações dele que se ausentou há cerca de duas semanas. Consta-me que teria ido para os seus lados, apaixonado pelas belezas do Tâmega. Baseio-me apenas nalgumas frases que proferiu antes de desaparecer, não sei se a expressar um desejo vago, se uma intenção consciente.

De qualquer forma, pediu-me: "se eu não estiver por cá, Gervásio, manda daqui um abraço grande à jovem do monte (dizendo isto, ria-se descontroladamente) e chateia-a para que escreva".

Pois como me foi pedido lhe envio um forte abraço em meu nome e no de Perdido.

Considere-me um seu admirador
Gervásio Leonel