terça-feira, 20 de maio de 2008

Retrato de Família


Vivo sozinha com um gato. Procuramo-nos, no casarão imenso, única companhia que somos um do outro.

Gostava de ter um retrato de família, daqueles em que podemos observar, a sépia, a preto e branco ou a cores um conjunto de pessoas, eu incluída, com afinidades consanguíneas como avós, pais, filhos, irmãos, tios, sobrinhos, sogros, cunhados, primos também... daqueles que eternizam um dia festivo e em que, só de olhar, se tiram parecenças e se diz, “que parecida eras com a tua bisavó Matilde”.

Gostava de ter tido uma família, uma família completa, numerosa, que, para além de retratos em conjunto me tivesse deixado, em herança, memórias de partilha, de convívio, de união, em vez do casarão imenso que antes de mim povoaram e onde agora vivo sozinha com um gato.

8 comentários:

carteiro disse...

Não sei o que dizer perante estas palavras. Dizer que lamento é sincero mas em nada suficiente. Sem qualquer tom de ironia poderia dizer-te que um começo, ainda que profundamente ténue, seria tirares entretanto uma fotografia ao gato que te acompanha e por ti é acompanhado. Mas dizer isto é longe de dizer algo sábio... bem longe.

Na falta de palavras para te deixar, deixo-te o mais sincero abraço.

Rosa dos Ventos disse...

Um grande abraço meu e umas marradinhas das minhas três gatas e do meu gato!

Perdido disse...

Não sei que te diga Mafalda: eu também tenho cá em casa molduras para emoldurar nada.

Perdido disse...

Voltei aqui para ver se a quadratura da elipse já estava resolvida. Que não!

Pensei que deverias convidar o António de Peniche, topas?, para tirar umas fotos para aí.

À falta de melhor, servia uma do Cocas e da Miss Piggy. Que achas?

Se a sugestão não servir, paciência! Sempre foi bom falar contigo.

goiaba disse...

Sensibilizou-me o seu texto porque fotografias de família eu tenho às centenas mas as pessoas foram desaparecendo e as que estão vivas foram-se quase todas, ignorando.
Mas tenho alguns amigos muito bons a quem amo de formas diferentes e que são a minha família e deles também tenho retratos ...
E também tenho um gato. Se o quiser conhecer, veja-o no blog em que participo : marquesices.blogspot.con
Continuarei a visitar o seu blog

Perdido disse...

Cada vez que volto adensa-se o vazio do lugar, o silêncio da autora, a ausência do quadro. Será tudo afazeres de hospital?

Bom fds. Beijos

Gui disse...

Um simples post tão pequeno e tão angustiante. Pelo menos foi assim que o senti. Um beijo amigo ajuda?

redonda disse...

Já passei antes por aqui e li este texto, mas não escrevi.
Gosto de como escreves e imagino-te forte. Penso que enquanto vivemos, vamos criando essa herança. E a partilha, convívio, união pode estar à tua frente, em amigos, amores, filhos e netos.