quinta-feira, 24 de maio de 2007

Um Meme

Agradeço à Graça Pires, do Ortografia do Olhar a simpatia por me ter incluído nesta corrente.

O Meme (*) escolhido:

Excerto de "Fragmentos de um Discurso Amoroso"
de Roland Barthes

"A linguagem é uma pele: esfrego a minha linguagem contra a do outro. É como se tivesse palavras de dedos ou dedos na extremidade das minhas palavras. A minha linguagem treme de desejo. A emoção resulta de um duplo contacto: por um lado, toda uma actividade de discurso vem acentuar discretamente, indirectamente, um significado único, que é "eu desejo-te", e liberta-o, alimenta-o, ramifica-o, fá-lo explodir (a linguagem tem prazer em tocar-se a si própria); por outro lado, envolvo o outro nas minhas palavras, acaricio-o, toco-lhe, mantenho este contacto, esgoto-me ao fazer durar o comentário ao qual submeto a relação.

(Falar apaixonadamente é gastar sem termo, sem crise; é manter uma relação sem orgasmo. Existe talvez uma forma literária para este coitus reservatus: é a afectação.)"

Agora os seis nomeados (todos do género masculino, só agora reparo na coincidência) para darem continuidade (ou não) a esta corrente, facto que fica ao critério de cada um, naturalmente:

Antecipadamente grata, desculpem qualquer coisinha... ;)

(*) Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre:
Um meme, termo cunhado em 1976 por Richard Dawkins no seu bestseller controverso O Gene Egoísta, é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. No que respeita à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética.
Quando usado num contexto coloquial e não especializado, o termo meme pode significar apenas a transmissão de informação de uma mente para outra. Este uso aproxima o termo da analogia da "linguagem como vírus", afastando-o do propósito original de Dawkins, que procurava definir os memes como replicadores de comportamentos.

8 comentários:

Vasco Pontes disse...

Olá mafalda,
honrado pelo convite, embora, por uma questão de princípio, o deva declinar. por isso, este poeta é que lhe pede desculpa.
beijos

Cusco disse...

Olá!
Fiquei extremamente sensibilizado e encantado quando li que tinha sido nomeado para mais um "meme".
É sempre bom receber manifestações de apreço pelo nosso trabalho.
Porém como acho que já começa a haver inflação de "memes", correntes, cadeias e prémios diversos pela blogosfera, entendo não dar continuidade ao pedido para assim não contribuir para a desvalorização e proliferação destes prémios.
Sei que não me vais levar a mal e que compreendes a minha opção.

Deixo-te, isso sim, um beijo e a certeza de que vou tentar tudo fazer para continuar a merecer o prazer da tua visita.
Até breve
SE DEUS QUISER!

Graça Pires disse...

Mafalda, muito obrigada por ter aceite o meu desafio. O excerto que escolheu de Roland Barthes é extremamente fabuloso. Bem-haja por partilhá-lo connosco e fazer desta visita ao seu espaço um momento de reflexão.Um beijo.

TINTA PERMANENTE disse...

Agradeço, sensibilizado, a deferência. Mesmo que junte os argumentos já aqui usados e os repita usando razões iguais.
Mas isso não impede que sempre por cá venha com prazer e por lá (nos meus sítios)goste de te ler.
Abraços!

Rosa dos Ventos disse...

O teu "meme" deixou-me sem fôlego!

Nilson Barcelli disse...

Obrigado pelo teu convite.
Já recebi mais alguns e ainda não me resolvi...
O excerto que escolheste é muito bom. Gostei de o ler, porque escrevo poemas e ler uma opinião sobre a linguagem que o próprio autor utiliza é importante.
Achei curiosa a expressão "Falar apaixonadamente é gastar sem termo, sem crise; é manter uma relação sem orgasmo..."
Bom fim de semana.

Maria disse...

Olá mafalda
Dou-te os meus parabéns sinceros. Este é um dos melhores memes que já li por aqui.
E estiveste tu tanto tempo só a ler, sem teres nenhum blog, e com tanto para nos dares...

Bom fim-de-semana
Beijos

maria carvalhosa disse...

Olá Mafalda,

Parabéns pelo meme que escolheste. Roland Barthes é uma referência incontornável. Pode ser contestado, atacado nas suas convicções, desmontado, mas os livros dele nem por isso deixam de marcar uma época, uma linha de pensamento, uma corrente de crítica literária, ou de "métodos de leitura", como se dizia nesse tempo, das mais importantes do Séc. XX, que desbravaram novos caminhos na investigação e no ensino da literatura.

Obrigada por este fragmento dos "Fragmentos de um Discurso Amoroso".

Um beijo amigo.