sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Votos de Bom Natal
domingo, 16 de dezembro de 2007
Belos e Malditos - F. Scott Fitzgerald

Dando prosseguimento ao desafio que corre por aí, passo a citar a 5ª linha, da 165ª página do livro e do autor acima mencionados.
Assim:
"Deteve-se, lembrando-se de que, quando Anthony partira naquela noite, ela se despira com o ar gelado de Abril entrando pelas janelas."
Aproveito para citar a epígrafe com que F. Scott Fitzgerald inicia este romance autobiográfico:
"O vencedor pertence aos despojos"

terça-feira, 27 de novembro de 2007
O estigma da solteirona

quarta-feira, 7 de novembro de 2007
De boas intenções...

Caricatura de Draner, pseudónimo de Jules Renard (1833-?) in "Le Charivari: Variations médicales" (1880-1890). Fonte: History of Medicine Division. © National Library of Medicine.
Tradução da legenda:
" Eu achava, doutor, que era nas costas que se auscultava..."" Para os peitos fracos, sim... mas não é o seu caso."
"Deliciosa a vida dos físicos (prodigiosos ou não) do passado mais remoto!", pensarão alguns dos meus amigos, olhando apenas o lado sensorialmente agradável da questão...
(seus malandrecos!!!).
Com esta me vou, que se faz tarde, e o estado de "sem-graça" continua...
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Porque também há o rio!...


Admito que tem sido um pouco preocupante esta minha entrega (quase) total ao trabalho mas, convenhamos, quem teve dois meses seguidos de férias tem que "dar o litro" para compensar. É o que tenho feito. Tenho dado litros e litros. Apercebi-me de que já posso fazer uma pausa; dar uma folga a mim própria; permitir-me fazer o que me dá prazer.

"De boas intenções está o inferno cheio" diz o povo. Estou, sinceramente, decidida a fazer cumprir a declaração de intenções que acabei de enumerar. Não quero envelhecer precocemente e, um dia, olhar para trás, à procura de quem fui, do que fiz, de alguma memória que me traga felicidade, e só encontrar imagens ligadas à minha profissão que, por natureza, apesar de algumas compensações, dão-me a ver essencialmente pessoas doentes, tristes, camas de hospital ocupadas por quem precisa de cuidados especiais ou, subitamente, vazias porque quem as ocupou já não faz parte do mundo dos vivos... é a vida, é a morte, sim. Mas não pode ser só isso...
Esta conversa está a ficar demasiado sorumbática. Quero rir, quero soltar o meu lado mais alegre e sadio e fruí-lo, como um bem a não perder. Nunca. Quero apanhar um braçado de flores e perfumar toda a casa.
Até breve, amigos, aqui ou nos vossos sítios.
domingo, 30 de setembro de 2007
Regresso a Casa
Agora que já assentei e tomei consciência de que estou de volta, concedo-me um tempinho para vir aqui e contar como foi regressar à minha montanha, à minha casa onde, pela primeira vez, retorno e não encontro os braços abertos da minha avó, prontos para me apertar bem contra ela e me cobrir de beijos.








quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Novos lugares de afecto



Sim, uma pessoa a meu lado. Contrariamente ao que se possa pensar, não andei sempre sozinha. Parti só, é verdade, mas isso provavelmente permitiu e funcionou como um elemento facilitador do encontro com outras pessoas. Viajar é excelente. Conhecer gente durante as viagens faz parte da aventura. Criar, com elas, laços de amizade (ou outros, quiçá) é um acréscimo muito gratificante.
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Da Irlanda para o Algarve
Leda and the Swan by W.B.Yeats
A sudden blow: the great wings beating still
Above the staggering girl, her thighs caressed
By his dark webs, her nape caught in his bill,
He holds her helpless breast upon his breast.
How can those terrified vague fingers push
The feathered glory from her loosening thighs?
How can anybody, laid in that white rush,
But feel the strange heart beating where it lies?
A shudder in the loins, engenders there
The broken wall, the burning roof and tower
And Agamemnon dead.
Being so caught up,
So mastered by the brute blood of the air,
Did she put on his knowledge with his power
Before the indifferent beak could let her drop?
A família Yeats legou à Irlanda, em particular, e ao mundo, em geral, um fabuloso espólio artístico. Desde o pai, John Butler Yeats, escritor mas, acima de tudo, famoso pintor, de que os retratos são a sua mais conhecida forma de expressão artística, ao inigualável poeta W.B.Yeats, percursor da nova poesia irlandesa, sem rima, com marcadas influências do seu grande amigo Ezra Pound, com quem era mantida correspondência assídua, de ambos os lados do oceano.
Retrato de W.B. Yeats, da autoria de seu pai, John Butler Yeats - 1906
Já o irmão mais novo de Williams, Jack Butler Yeats, sempre demonstrou maior vocação para a pintura, tal como o pai, sendo considerado o expoente dos pintores modernistas da Irlanda, tendo inclusivamente sido conotado com a escola expressionista.
Jack Butler Yeats, (Atlantic Drive), 1944, The Hunt Museum, Limerick
Jack Butler Yeats (My beautiful, my beautiful) - 1953
Da bela Irlanda levo imagens que, para sempre, ficarão comigo. Também o meu imaginário ficou mais saciado, após esta visita em que procurei aprofundar, tanto quanto possível, as raízes celtas que tanto me fascinam, a lendária e mítica história da ilha de onde Isolda partiu para casar com o Rei Marco e afinal, da sua paixão com Tristão, nasceu uma das mais belas histórias de amor da cultura Ocidental :
"Frisch weht der Wind der Heimat zu, mein Irish Kind, wo weilest du?" (Tristan und Isotte, Wagner - frase citada no poema "The Waste Land" de T.S. Elliot).
Ilha de grandiosos escritores, cuja escrita já me acompanhava, mas que agora julguei entender um pouco melhor, de Jonathan Swift a Samuel Becket, passando pelo incomparável James Joyce e por George Bernard Shaw.
Pois é, mas tenho mesmo que rumar a terras algarvias (o contraste térmico até poderá ser interessante... além do mais vou ter oportunidade de nadar no mar, finalmente. Sim, porque nesta terra não me atrevi a fazer mais do que molhar os pés nas águas fresquinhas, fresquinhas... e mesmo assim ficava com eles enregeladinhos!!!) mas a verdade verdadeira é que, embora os irlandeses funcionem com euros, como nós, os euros aqui custam bastante mais dinheiro do que em Portugal. Refiro-me aos "comes e bebes", aos alojamentos, enfim a tudo aquilo em que é mesmo preciso gastar dinheiro... sei que no algarve também não é barato, mas quem viaja de Dublin para Faro consegue ter férias muito mais económicas do que se fosse de qualquer ponto do nosso País. É triste, mas é verdade. Nem vos digo quanto vou pagar por estas férias num aldeamento "top class", com tudo incluído. Parece-me vergonhoso que um estrangeiro precise de dispender apenas cerca de 1/4 do que um portuguesinho de gema, nas mesmas condições, tem de gastar... Enfim, as injustiças desta nossa sociedade (mercado único, união europeia, livre circulação de pessoas e bens, fariam prever condições de subsistência e até de férias, - porque não? - naturalmente idênticas, não era?) MAS NÃO É!
Claro que não vou endireitar o mundo nem me vou armar em mártir, portanto, como qualquer português feito esperto, vou aproveitar, já que estou aqui!... (seria honesta, ficaria de bem com a minha consciência, etc. e tal, mas seria uma parva, e, pior do que isso, arrepender-me-ia todos os dias se não o fizesse, não é verdade?).
Amanhã vou, então, direitinha da Ilha Verde para o Algarve escaldante. Chegam-me notícias de que o calor em Portugal está insuportável, mas, apesar de não ser propriamente uma "indigente", o meu "pé-de-meia" para as férias já não me permite continuar por mais tempo neste fresco e verde paraíso, onde tive a oportunidade de conhecer paisagens deslumbrantes, enriquecer os meus parcos conhecimentos sobre a herança celta e a mais recente cultura irlandesa e, para meu espanto, descobrir que na Irlanda existem muitos corvos. A sério! E não é só à beira-mar... é por todo o campo, que é como quem diz, relembrando a amiga Bettips, countryside. Vamos por uma estrada, entre uma cidade e outra, por exemplo e, à porta de cada casa, de ambos os lados da estrada, está postado um corvo verdadeiro. Tipo cão-de-guarda... será um corvo de guarda? Adorei esta particularidade, a juntar a todas as outras que vim referindo ao longo dos posts que nesta ilha de sonho, onde o fantático e o real chegam a confundir-(se)-me, consegui arranjar algum tempo para escrever.
Talvez dê notícias da minha estadia do lado de cá de Marrocos, se me sobrar algum tempo fora de água... senão... até um dia destes, de onde voltarei ao Vento Agreste para pôr a escrita em dia, lá do alto da minha montanha.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Limerick

There was a youg squire from Japan
whose verses just never would scan
when asked why this was
he replied "it´s because
I always try to fit as many words into the last line as ever I possibly can"
Para minha decepção, na cidade de Limerick não nos deparamos com jovens poetas a declamar limericks nas esquinas das ruas, nem se vêem limericks grafitados nas paredes, nem as livrarias se encontram a abarrotar de livros de limericks.

quarta-feira, 18 de julho de 2007
Irlanda - frente a frente com os mitos

No meu post "ganhar asas e voar", de 10 de Junho passado, escrevi: "O primeiro sítio onde vou parar há-de ser um que tenha mar... muito mar... quero tanto sentir esse cheiro meu desconhecido que é o da maresia... e dormir ao som das ondas que se desfazem na areia, ou que embatem contra as rochas... . Também gostava de estar numa ilha. Ter a sensação de estar rodeada de água por todos os lados deve ser maravilhoso, inexcedível de prazer... bom, para mim, por enquanto é apenas indescritível, faz parte do meu imaginário desde criança. Esperemos por esse dia..."
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Desde ontem que estou em Galway, uma estância turística por excelência, com nada mais nada menos que sete lindíssimas praias com bandeira azul. Numa delas, a praia dos Corais, a areia é mesmo formada por mínúsculas partículas de corais que a erosão foi reduzindo, ao longo dos anos, à condição de areal relativamente confortável aos pés. Já a água é uma dor de alma... tão límpida, tão convidativa, mas tão GELADA! Daí a elevada afluência de banhistas que se pode comprovar na fotografia abaixo - em pleno Julho, pico da época balnear!... vá lá, não se riam, disseram-me que há alguns bravos irlandeses que, de longe a longe, vão dar umas braçadas.

Já nesta praia, uns quantos turistas mais afoitos andam na areia, saltitam pelas rochas e até se atrevem a penetrar nas gélidas águas (com fatos impermeáveis ou isotérmicos, nalguns casos, mas não deixam de fazer honras à sua bela praia, limpa e saudável, que orgulhamente ostenta a dita bandeira azul da União Europeia).

No fim de um dia inteiro de excursão pela costa junto a Galway, nada melhor, para terminar a jornada em beleza, do que um relaxante passeio a bordo do "Corrib Princess", um iate turístico que atravessa a cidade de Galway navegando nas calmas águas do rio Corrib. Com sorte, é-nos oferecido um lindo pôr-do-sol, acompanhado por uma brisa um tudo-nada fresca, que aconselha a descida do convés à zona coberta da embarcação, de onde continua a disfrutar-se uma paisagem de encher as medidas a qualquer visitante.

terça-feira, 26 de junho de 2007
Saudades

domingo, 17 de junho de 2007
O amor, o amor...






domingo, 10 de junho de 2007
Ganhar asas e voar

segunda-feira, 4 de junho de 2007
Sabedoria

domingo, 27 de maio de 2007
Da vida das flores

Há pouco, dei por mim a olhar uma carroça que passou, por um carreiro da montanha, ajoujada de flores campestres, flores que despontam naturalmente, de forma cíclica, na primavera de cada ano, e pensei qual o destino de tanta flor bonita amputada, roubada à sua vida de flor, exclusivamente dependente da terra, do sol, da chuva, do vento. E se uma flor, enquanto ser vivo, também tivesse aspirações, desejos, sonhos, nem que fosse o de permanecer na encosta, até ao fim da primavera, e deixar-se sentir, fruir com prazer de flor, cada raio de sol, cada pingo de chuva, cada sopro de brisa? Isso faria de quem as apanhou um assassino cruel. Não, não posso pensar assim.
Se houvesse alguma possibilidade de existir sensibilidade no reino vegetal, as divindades não permitiriam que se oferecessem flores nos aniversários, em gestos amorosos, ou como última homenagem a um ente querido que parte... (hum... à excepção das impiedosas Moiras, da mitologia grega, ou das Parcas, da romana, que também pertencem ao grupo. Estava a esquecer-me dessas, é verdade, que cabeça a minha!).
Bem, vou apressar-me a fazer qualquer coisa, das muitas que pretendo, antes que a Morte chegue e me arranque pela raíz, ou me ceife pelo caule, com a sua foice implacável!
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Um Meme
"A linguagem é uma pele: esfrego a minha linguagem contra a do outro. É como se tivesse palavras de dedos ou dedos na extremidade das minhas palavras. A minha linguagem treme de desejo. A emoção resulta de um duplo contacto: por um lado, toda uma actividade de discurso vem acentuar discretamente, indirectamente, um significado único, que é "eu desejo-te", e liberta-o, alimenta-o, ramifica-o, fá-lo explodir (a linguagem tem prazer em tocar-se a si própria); por outro lado, envolvo o outro nas minhas palavras, acaricio-o, toco-lhe, mantenho este contacto, esgoto-me ao fazer durar o comentário ao qual submeto a relação.
(Falar apaixonadamente é gastar sem termo, sem crise; é manter uma relação sem orgasmo. Existe talvez uma forma literária para este coitus reservatus: é a afectação.)"
Um meme, termo cunhado em 1976 por Richard Dawkins no seu bestseller controverso O Gene Egoísta, é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. No que respeita à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética.
Quando usado num contexto coloquial e não especializado, o termo meme pode significar apenas a transmissão de informação de uma mente para outra. Este uso aproxima o termo da analogia da "linguagem como vírus", afastando-o do propósito original de Dawkins, que procurava definir os memes como replicadores de comportamentos.
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Papoilas Ondulantes

quarta-feira, 16 de maio de 2007
Disse-me um passarinho

Disse-me um passarinho que a vida não é só tristeza. Acredito, a sério que acredito. Não me parece, no entanto, que seja nessa balbúrdia das grandes cidades que mora a verdadeira alegria. Não, disso não me consegue ele convencer. Vou continuar a ouvi-lo a ver se percebo o que ele quis dizer para além do que disse. Talvez não me tenha dito tudo. Talvez a intenção seja essa e nunca me chegue a dizer tudo, para que eu tenha de demonstrar esforço e, pelos meus próprios meios, descubra o segredo da alegria. Da alegria fora daqui, bem se vê, porque esta conheço eu bem. Não me chega, eu sei. Não me contento com a alegria que conheço e que deverá ser ínfima quando comparada com a tal alegria que o passarinho diz existir. Duma coisa tenho a certeza: vou continuar a procurá-la, ai isso vou!
segunda-feira, 14 de maio de 2007
O mar
